Pobres meninos do Brasil…

E o futuro do Brasil? Assassinado, segue o país dos filhos torturados. Em todas as camadas sociais, o futuro do Brasil agoniza. Nas mãos dos pais, do Estado, das Forças Armadas, dos bandidos diplomados, os meninos do Brasil são massacrados. A sociedade brasileira assiste a tudo, calada, apenas achando lúgubre o triste espetáculo. Somos vencidos, diariamente, por essa realidade que acerta, todos os dias, impiedosamente, uma bala perdida bem no meio das nossas esperanças. Até quando, não sei!

Sei apenas que tudo isso é o produto final de um país que vive sob a vigência da total falta de valores. Aqui, roubar e matar são sentidos de vida tão banais, que aceitamos o político fanfarrão como aceitamos o assassinato do menino de olhar triste do Rio Grande do Sul. Tudo tem sua origem, e a origem de nosso mal maior é a omissão, a aprovação silenciosa de toda a sociedade. Pobres meninos do Brasil, pobres de nós!

Os pais brasileiros de agora são os filhos de uma sociedade adoecida de ontem. O triste destino dos filhos deles, a constatação da doença moral e social que nos assola. Hoje, nossa consciência civil chora diante da conclusão de que o menino Marcelo Pesseghini, de 13 anos de idade, matou seus pais. 

Nas tevês, assistimos, diariamente, as cenas das novelas que propagam o ódio à vida, que corroem as famílias, revelando o pobre mundo presente, tão distante dos valores morais que deveriam educar um povo, que deveriam ser referência para todos nós, orientando uma vida em sociedade. Nos tornamos reles espectadores do tétrico espetáculo social que se descortina, todos os dias, à nossa frente. O produto final disso conhecemos de perto, está nas ruas de um imenso país, estampado nas páginas dos jornais, tatuado em nossos corações, para sempre!

Somos nós que fazemos o mundo em que vivemos. Somos nós os atores, diretores e espectadores e por nossos atos revelamos o rumo que a trama cotidiana seguirá, intuindo, claramente, quais serão as cenas dos próximos capítulos.

É tudo tão perverso e covarde que preferimos fechar nossos olhos e acreditar na transitoriedade de nossa má sorte, ignorando o lastrear da impunidade. Enquanto isso, mais um corpo tomba inocente, embalado pela nossa acomodada cumplicidade, amparado pela inocência cívica que faz de nós uma nação passiva, não pacífica. Somos mesmo um povo acovardado, em séculos e séculos de omissão e submissão.

Ultimamente, escrevemos cartazes, vamos para as ruas e protestamos. Amanhã, lamentaremos. Depois de amanhã, esqueceremos. E para nos deixar com a consciência cívica tranqüila, aprovaremos uma malfadada Lei da Palmada para justificar o que não se faz aqui, o que não existe… Depois, passaremos, cada um com as suas urgências, pelas mesmas ruas em que foram assassinados os meninos do Brasil e, provavelmente, os nossos futuros netos. Assim sempre foi, assim tem sido. Até que, um triste dia, a impune realidade brasileira resolva bater à nossa porta.

 

Petrônio Souza GonçalvesPetrônio Souza Gonçalves, é jornalista e escritor

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