Pracinha do Pará marcou nossa juventude em Itabira

 norbertoAo lado do ´Bar do Nilo, por sua vez, um “ponto” que é só lembrança              

Hoje acordei neste domingo, o último do ano, com uma saudade tremenda de minha Itabira antiga. Lembrei numa viagem rápida ao meu tempo de criança e percebi, de lá para cá, o quanto o chamado progresso foi devastador. A chegada da modernidade (sic) transformaram geograficamente, a nossa Itabira do Mato Dentro. “Itabira, um retrato na parede”, nunca foi tão real. Uma repagina no tempo e espaço percebo que em nada me lembra o bar do Nilo que se misturava com a Pracinha do Pará. Bar que funcionou a intelectualidade do bairro. Ali que também era local de reunião de jornalistas, escritores e intelectuais, nada restou. Mas a grande frustração de quem vai atrás das boas lembranças são maiores.

As ruas estreitas que mal cabia um veículo, hoje dá passagem para de mais 50 mil, segundo estatísticas da prefeitura, que ao lembrar-me de notícia veiculada no diário sobre o montante arrecadado esse ano, oriundos da atualização dos emplacamentos dos mesmos justificam a preferência ao pedestre, esse agente importuno. E haja ouvidos para suportar tanta parafernália na av João Pinheiro, principal artéria da cidade. 

Uma breve recordação afetiva de nossa Itabira revela essa e outras decepções fruto do desenvolvimento desenfreado e desbravador. A Escola Estadual Major Lage, berço da meninada do bairro, hoje sem crianças, atende a um público que não condiz com a nossa realidade.  Os daqui têm de se virar para buscar vagas em outras, pode? 

E a Parcinha do Pará? Triste lembrança, sem criança, sem música, sem luz, sem a energia do bar do Nilo, sem a jovialidade – marca característico do bairro, sem movimento educativo, sem história, apenas um vazio, que serve a uns poucos privilegiados que vêm no aconchego dos bancos escuros, lugar apropriado para viagens extraterrestres de meia dúzia de rapazes que afastam a melhor idade com o cheiro que não lhes faz bem a saúde. Triste sina Pará, bairro de tradição, memória de ilustres, revolucionário, jogado às traças.

Mas olho à frente e noto que outros pontos mantêm-se na inércia. Praça Sâo Tomé, é preciso ver a maldade de nossos políticos, que ao remodelar passaram por cima da tradição para satisfazer egos insanos. Foi-se o Bar do Jairo e, com ele, outro ponto de confluência, os bairros não se firmam. O ´footing´  do Paredão continua às escuras, os casarões outrora vistosos e iluminados, hoje de portas e janelas fechadas, não servem mais de referência para a cultura local. A Quinta Cultural e outros eventos que eventualmente faziam parte da agenda, restringe-se aos religiosos que ali ainda acontecem, se é que isto serve de consolo.

Por José Norberto

 

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