Pracinha do Pará, um retrato na parede

Reminiscência

´A minha infância perpassa pela Pracinha do Pará, cujos momentos são irretocáveis. Dos tempos de estudante do Major Lage no primário aos tempos atuais, há muita história para contar´

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Praça Dr. Nélson Lima Guimarães.

Longe de retratar os primeiros dias de minha infância, relembro saudosamente da Praça Dr. Nélson Lima Guimarães, mais conhecida pelo nome popular de Pracinha do Pará. Lembro-me que desde a sua criação, já trocou de roupa por várias diversas vezes e, em nenhuma dessas trocas de indumentárias, manteve-se respeitosa à sua memória. Se observado a imagem que ilustra esse momento singular, que tão bem assimila passado e presente, nota-se o desrespeito em todos os aspectos críticos. Ao considerar que a minha infância perpassa pela Pracinha do Pará, cujos momentos ali vivenciados são irretocáveis em minha memória, dói em mim a dor de minha alma.

Dos tempos de estudante do Major Lage iniciados no primário aos tempos atuais armazenados em arquivo, há muita história para contar. Diga-se de passagem, bem diferente desta cantoria de “A Praça” letra e música de Carlos Imperial e interpretada pelo cantor Ronnie Von. Composição cuja letra expressa uma grande verdade perdida ao longo do tempo, porquanto acordo diariamente e percebo que as saudades daquela época em que ela era a nossa coqueluche era motivo de orgulho para se destoar da realidade e se transformar na atualidade em motivo de frustração.

Um novo olhar ao deparar-me com essa foto que ilustra o texto sinto o bater mais forte no coração. De repente, sem que nada possa fazer, rola uma lágrima imperiosa pela face abaixo, em sinal de desânimo. Uma leitura mais minuciosa do quadro pictórico percebo latente o sentido da ausência na imagem presente, sem que eu possa impedir a destruição eminente. Desolada, inerte, permanece a ausência de tudo. Dos bancos, do aconchego, da usurpação da arquitetura única constratando com esses tempos bicudos de calor escaldante, onde não há espaço para os pássaros tão comuns naqueles tempos de abundância. Hoje há espaço apenas para lamentar o que restou no lugar de lazer tomado pelo descaso. As personagens que ali frequentam percebe-se que dali não gostam ante a postura de tanto desprezo pelo zelo tão necessário à sua manutenção, para que nela fosse mantida o verde, o brilho e o prazer de nela conviver.

O que me deixa triste, impotente, fazendo aumentar a minha insatisfação no olhar incapaz é essa sensação do silêncio silencioso de muitos, pois, da pracinha de antes noto com respeito que muito pouco há o que se falar, apesar de entender que foi nesse lugar que começou o meu sentimento de amor por Itabira de uma imagem tristonha, emudecida…

Resumindo a prosa, tudo ficou diferente a Praça não mais existe, o pipoqueiro partiu, o banco foi substituído, não há mais flores, nem jardim. Tudo ficou desigual, sinto que nessa ausência ficou apenas o meu amor pelo passado inexistente.

Por José Norberto

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