A repetição da história

Por Veladimir Romano

No poder da comunicação do presente onde tudo anda muito igual, uma visão global vai identificando como a história sai repetida: aqui, acolá… escutamos e vemos a informação duplicada vezes sem conta, reflexos experimentados nos locais onde residimos como espelho das aflições, obsessões e perturbações da sociedade atual.
Das últimas da espionagem: a vergonhosa situação criada pelos serviços secretos norte-americanos, também tocou na Holanda. O país das tulipas não escapou e o problema da discussão interna, paira agora na cabeça do ministro do Exterior, a espada dos justiceiros perguntando como foi possível 1 milhão e 800 mil cidadãos, serem atraiçoados da sua privacidade a contas com a espionagem da famosa organização National Security Agency (Agência Nacional de Segurança); herança da família Bush, quando passou pela presidência, deixando um rombo brutal no tesouro, aplicando 100 bilhões de reais na criação da diabólica ideia.
 
Ressecada com as denúncias sobre o serviço confidencial feitas pelo analista de alta vigilância: Edward Joseph Snowden, retido na Rússia, evitando julgamento sumário nos EUA; graças a essa troca de informação confidencial, ficamos sabendo, depois de sete meses de tumultos na Tailândia onde o Banco Nacional manifestou a saída de 1.980 bilhões de reais (ordens da primeira-ministra demitida pelos golpe militar) depositados ao Banco da América, de Miami; até Portugal, sério candidato a campeão de fraudes; este, de 3 anos no serviço sanitário, um custo ao tesouro de 775 milhões de reais. Com outra fraude nas farmácias a 660 mil reais, custo diário… exemplos brutais das repetidas histórias atuais em circulação no mundo.
 
De novo a Venezuela sofrendo da sua ousadia de seguir caminhos diferentes, não do jeito dalguns, sofrendo vai inflação organizada no exterior, chegando na ordem dos 56,2%. O país exporta 7 milhões de barris de petróleo/dia (Venezuela conserva 300 bilhões de barris). 
 
A 4ª potência mundial, dando sapatada no miolo de quem deseja pobreza acima do serviço público. O novo bonito oposicionista dos projetos sociais: Leandro Lopez, jovem economista da classe rica, educado na famosa Harvard, universidade norte-americana onde são preparados a maioria dos abutres da finança internacional, vem sendo o cabeça de ferro da instabilidade venezuelana, custando aos cofres públicos norte-americanos, desde dezembro, a quantia mensal de 200 milhões de reais.
Iguais razões, com 12 meses após independência, o Sudão-Sul (região rica de petróleo), por causa das políticas sociais, consideradas um desperdício pela oposição, em parceria com o Sudão-Norte, provocaram o recente conflito, tomando de assalto o débil regime do jovem Estado africano, desprovido de preparação, sem exército e sem moeda corrente. A Índia, anda sendo colocada na balança dos atritos, certamente, dentro dalgum tempo, serão populações nas ruas das cidades causando problemas. Os dominadores da finança, conseguiram colocar a inflação da economia indiana, ao nível de 11%. A salva do problema, vão sendo as eleições gerais que ofereceram novo governo e mudança estratégica.
 
Porquê a Índia? Muito claro: tem fronteira com a China; alinha com restantes países BRICS. Estes, desejam criar nova moeda comercial para o mundo, um novo banco mundial, reformar de vez o Fundo Monetário Internacional, diminuindo a exagerada dependência dos mercados na moeda americana. Tanto assim, a China, anda construindo novo canal marítimo autorizado pela Nicarágua. Ameaça declarada, direta nas mordomias dominantes da elite financeira descuidando o velho canal entre o Atlântico e o Pacífico. Da Rússia e China, detentoras dos títulos da gigantesca divida pública norte-americana (podem colocar EUA em “dumping” técnico, caso forcem a parada ou comercializem os títulos de 38 bilhões de reais, 100% do PIB). Seria o feitiço contra o feiticeiro, forte realidade reconhecida pelos mercados, tão clara quanto o Canal do Panamá, embora se compreenda que a Índia, foi escolhida como elo mais fraco.
 
Analisando o histórico; Itália, onde o novo governo deu mão dura numa ampla operação policial entre Roma e Nova York, destruindo um dos grupos mafiosos delatores: o “Nadrangheta”, dos mais poderosos, traficando droga enlatada desde a Guiana em conserva de fruta aos EUA, Itália e Albânia, lavagem financeira, entre outras perigosas atividades dessa rede onde 43 malfeitores, detidos, certamente agora identificarão quem será quem, na “família calabresa” do crime organizado. Igualmente sentou o velho Silvio Berlusconi no telhado, aprovando maior taxação para gente rica, corte de taxas nos salários e pensões menores, anulou 25 bilhões de reais no orçamento do Estado para compra de caças de guerra; assim, para serem distribuídos por aqueles que possuem salários e pensões mais baixas e uma devolução de taxa anual, deixando que a economia se faça no mercado diário pelo bolso dos consumidores italianos, em véspera de mais uma copa mundial.
 
O duro reflexo dos níveis brutais de abstenção das eleições europeias sobre os políticos, reafirmam velhos tempos quando as pessoas já não acreditam mais no sistema, conduzindo a Europa a várias revoluções e guerras, geradoras depois de conflito universal em duas ocasiões bem claras. Contudo, pelo clima atualizado, parece que estamos todos pisando os mesmos trilhos, olhando a repetição da desgraça, na paz do diabo.
O século XXI, vai repetindo velhas trapalhadas negativas da História. O errado supera a inteligência e as capacidades maiores do ser humano, submetidas a grupos de intervenção internacional medindo apenas o capital, a custo da destruição das camadas sociais, criando instabilidade, retirando prazer da vida, adulterando a filosofia civilizadora do bem que habita o espírito humano. No fundo, parece que o mundo não aprendeu nada com o sofrimento, atraso e padecimentos ainda no presente marcando a vida de muitos.
 
Pela linha geral da  História, a repetição das velhas imagens, mostrando quanto farrapo sem jeito enfeitado de terno/fato e gravata, caminha sobre cadáveres de forma oportunista, longe da compreensão nas variantes da sua extorsão, como fenômeno sem brincadeira, nunca deixando de ser integrada em qualquer hábito confirmado, assumindo novas parcerias pelo sequestro criminal, mas de aparência normal. Segue assim este suborno existencial de agressividade crescente, ameaçando a natureza mais clara das coisas históricas onde a maldade humana parece nem ter fim nem reconhecimento, marcando teimosias do subconsciente de cada governante ao economista, do militar ao burocrata… algo de muito errado vai empatando a vida mundial e, de como será difícil vencer a batalha da grande crise moral humana, caso tudo vá ficando muito igual… 

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