Um caso para o Patrimônio Histórico

Por José Norberto 

Há seis meses em artigo publicado no site  LesteMais e no Facebook, sugeri o tombamento do prédio da Defensoria Pública, sito na rua Mestre Emílio, 34, bairro Pará, por entender ter sido  construído ali, a primeira sede da então Cia Vale do Rio Doce.  Não custa lembrar, que o espaço foi também  utilizado pelo Valeriodoce Esporte Clube, que fez dali o primeiro clube da empresa. Daí, motivos de sobra para pleitear o tombamento e preservação da história da empresa e do município. A publicação do texto não saiu do agrado da entidade mantenedora, Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI), que tão logo tomou conhecimento das minhas pretensões com vistas ao tombamento, tratou de solicitar a saída da Associação do bairro Pará (AMAPARA), que ocupa o espaço através da entidade. À época eu era presidente da Associação.

Sem que pudéssemos chegar a um acordo razoável de permanência no local, estamos nos preparando para sair. Estamos, entretanto, mais uma vez reivindicando ao poder público que não nos deixe sem o nosso espaço de trabalho. Enquanto isso, estive na Prefeitura e por sorte acabei me encontrando com o Sr. Daniel Alves, Secretário de Desenvolvimento Urbano.  

O Encontro não poderia ter sido mais oportuno. Em pouco t empo de prosa, pude colocá-lo a par das reais condições da Associação e da importância de preservar aquele espaço arquitetônico, em função do papel histórico que o prédio representa para o município.

Compreendeu a minha colocação, sensibilizando com o estado em que se encontra a Quadra localizada em nosso bairro, totalmente desleixada por falta de revitalização. Ele acha, no entanto, que pode ser possível um estreitamento de interesses entre o PSF e a Associação para que seja feita uma obra na quadra que acomode as duas instituições no atendimento à população do ponto de vista da Saúde e do entretenimento e lazer.

Achei isso ótimo. Disse a ele, que fique bem atento para aquele espaço  da Defensoria Pública. Lá funcionou o primeiro clube da Vale e há uma orientação da Presidência da República para tombar os clubes em que nasceram em função de cidades mineradoras. Informei-lhe que  este é um dos casos e que o outro clube é o da Sedinha do Valério, no Campestre. Ambos devem ser tombados. Agora é esperar para ver no que dá.

Ah! Aproveitei o momento para defender a tese de que a VALE é um patrimônio do Município de Itabira, como tal, deveria ter todos seus equipamentos tombados. Lembrei-lhe para colocar um olhar sobre Itabira daqui a 100 anos quando a Vale já não estiver mais aqui, que esses patrimônios serão a nossa referência para o mundo. Senão, vejamos em se tratando da empresa e de sua potencialidade:

– 1º Hospital – Carlos Chagas (o Hospital Nossa Senhora das Dores é outra história); o 1º armazém dotado de açougue, armarinho e mercearia; a 1ª farmácia, o 1º Escritório administrativo (Areão); o 1º Sindicato (Metabase); a 1ª casa de Hospedagem (no Pará); os 1º Clubes de entretenimento (Valério Pará e Campestre); o 1º Clube Social (Valeriodoce E. Clube); a Cava do Cauê; o sistema de Mineração com seus equipamentos: maquinários e contrações; a estrada de ferro (Vitória / Minas), Vila Técnica da Conceição, mas é o que me lembro por hora.

Se tomarmos como referência o Museu de Território Caminhos Drummondianos, podemos chegar à conclusão de que é plenamente possível pensar num museu a céu aberto com todas essas instalações da VALE. E dizer que estou viajando na maionese, pois, tão logo sai da Prefeitura e  retornei à Fundação Cultural onde estou trabalhando, passei essas e outras informações para a Solange Bethônico e para o superintendente, Marconi Drummond, que me ouviu atentamente e endossou totalmente a minha linha de raciocínio e completou… “um projeto ousado e pertinente… vamos tratar de colocar em prática”, declarou. Tenho dito.

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