Mineira luta na Justiça para conseguir remédio de R$ 15 mil; saiba como ajudar

Alice Rodrigues Mendes, 34, contraiu um vírus após receber um transplante de rim esperado há três anos; remédio é necessário para combater doença que pode causar morte cerebral

Remédio é necessário para combater doença que pode causar morte cerebral
Foto: Arquivo pessoal

Vinte e seis entre os 34 anos de Alice Rodrigues Mendes tem como principal cenário o hospital Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Portadora de uma doença renal hereditária tratada na unidade de saúde desde que ela tinha oito anos de idade, a mineira de Itaúna recebeu um transplante de rim – que ela chama de “milagre” – em 2019.

Entretanto, o alívio de poder ver-se livre da doença que a acompanha há mais de duas décadas trouxe um novo complicador para ela: após o transplante, Alice acabou desenvolvendo uma doença provocada pelo citomegalovírus (CMV) e permaneceu internada até maio deste ano. O tratamento para a enfermidade que pode provocar até morte cerebral – além de inutilizar o rim doado – depende diretamente de uma medicação cujo preço está, hoje, em torno de R$ 14.000.

Após vencer a batalha contra a doença que ataca seus rins, Alice encara agora uma briga na Justiça para receber do Estado o remédio necessário para sua sobrevivência. Este valor citado refere-se a apenas uma caixa do medicamento chamado Valganciclovir que, com apenas 60 cápsulas, dura exatos dois meses para ela.

O tratamento com este remédio tem que ser feito por um ano para garantir que o vírus seja completamente combatido. Enquanto a Justiça ainda não decide pela compra do medicamento, ela começou uma vaquinha online para tentar arrecadar a quantia necessária a dois meses de tratamento. Até esta quinta-feira (1º), cerca de R$ 8.600 tinham sido arrecadados. Alice tem comprimidos para um mês e meio, doados de um paciente que também esteve internado com ela na Santa Casa de Belo Horizonte.

“Este medicamento é fornecido pelo SUS de forma injetável, mas depende que eu esteja internada, e é uma fórmula mais agressiva do remédio. Minha medula chegou a parar de funcionar por causa desse medicamento. Então, conversando com o médico, ele disse que a melhor opção para não ser tão agressivo para o meu organismo era o remédio oral e que também tem um efeito melhor no tratamento da doença. Ganhei três caixinhas de um paciente que me doou, mas está quase no final”, relata Alice.

Frente à dificuldade, ela foi orientada pelo próprio médico a procurar a Justiça para obter o remédio, mas ainda não conseguiu um parecer favorável. “Meu primo entrou na Justiça para tentar o remédio, tem mais de quatro meses, mas não saiu nada ainda. Se o medicamento que eu tenho acabar, tenho que voltar para o hospital e internar. Eu tomo todo dia e não posso ficar sem, o CMV pode provocar morte cerebral, pode atacar o coração, o órgão que eu recebi pode parar de funcionar…”, relembra ela as informações repassadas pelo médico.

Alice padece da mesma doença nos rins que também atacou seu pai. Com apenas oito anos de idade, ela iniciou um tratamento medicamentoso que garantiu o funcionamento do órgão até seus 31 anos de idade. “Foi um milagre meus rins durarem só com medicamento até 31 anos, era praticamente impossível. Com 31 eu fui para a diálise, fiz por dois anos mais ou menos e recebi o rim. Agora eu tenho só o rim transplantado, os outros dois estão atrofiados”.

Logo após o transplante, ela descobriu-se com citomegalovírus e iniciou imediatamente o protocolo com a medicação no hospital. “Eu internei três vezes depois do transplante, um total de sete meses mais ou menos. Fiquei seis meses só na última internação”, conta ela que passou quase dois desses seis meses isolada em função do risco de transmissão de Covid-19 dentro do próprio hospital.

A mãe que a companhia nas internações foi obrigada a retornar para Itaúna e ela encarou estes dias sozinha na unidade de saúde. Ela deixou a Santa Casa no mês de maio quando começou o tratamento com o remédio que ganhou através de doação e, transcorridos cinco meses, são necessários outros sete, pelo menos, de uso contínuo do medicamento para garantir que ela esteja livre do vírus. Interessados em ajudar com qualquer quantia podem doar no site criado para a vaquinha (clique aqui).

O TEMPO

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