Procura por vacina de pneumonia sobe até 140% na rede privada durante a pandemia

A procura pela vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) aumentou até 140% em laboratórios da rede privada de Minas Gerais desde o início da pandemia do coronavírus. As doses não protegem contra a Covid-19, mas produzem imunidade contra 13 sorotipos da bactéria causadora da pneumonia e da meningite. A vacina, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos restritos, custa de R$ 285 a R$ 323 na rede privada.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Pneumo 13 é indicada para crianças a partir de 2 meses e menores de 6 anos de idade, para crianças, adolescentes e adultos portadores de determinadas doenças crônicas e para maiores de 50 anos e, sobretudo, maiores de 60 anos de idade. Ela previne cerca de 90% das doenças graves (pneumonia, meningite, otite) em crianças, causadas por 13 sorotipos de pneumococos, três a mais do que a pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10), disponível no SUS. Essa última previne cerca de 70% das doenças graves em crianças.

No Hermes Pardini, houve aumento de 48% na procura pela vacina entre março e maio deste ano em comparação com o mesmo período de 2019. De acordo com o assessor científico do grupo, José Geraldo Leite Ribeiro, a demanda por parte das crianças se manteve estável desde o início da pandemia, mas aumentou substancialmente entre idosos e adultos com comorbidades.

Segundo ele, a vacina Pneumo 13 pode contribuir para evitar casos graves de Influenza, mas não é possível afirmar o mesmo sobre a Covid-19. “O vírus da Influenza abre caminho para os pneumococos, então a vacina é importante para evitar complicações da Influenza. No caso do coronavírus, pelo que sabemos até agora, os casos graves e as mortes parecem ser diretamente ligados ao vírus”, afirma.

“Mas há preocupação de se evitar outras doenças respiratórias, porque, se alguém tem uma doença respiratória importante, seja gripe ou pneumonia, durante a pandemia, vai haver confusão diagnóstica e exposição ao serviço de saúde. O ideal é que a pessoa esteja bem protegida para aquilo que existe proteção”, completa.

No Laboratório Lustosa, presente em Belo Horizonte e cidades da região metropolitana, a demanda da vacina foi 140% maior entre março e maio deste ano do que no mesmo período de 2019. “Sabe-se que um dos sintomas mais graves do coronavírus é o comprometimento respiratório, e as pessoas têm buscado serviços associando a vacinação como meio de prevenção à doença. A vacinação é de extrema importância pois protege contra as formas mais graves de pneumonia, mas não tem relação com a prevenção da Covid-19”, esclarece a enfermeira responsável técnica do setor de vacinas do Laboratório Lustosa, Marta Moura.

De acordo com ela, a procura pela vacina Influenza, contra a gripe, também tem sido alta. “O mundo está paralisado por uma doença de alta transmissibilidade. Se tivéssemos a vacina (contra a Covid-19), isso não estaria acontecendo. Se o mundo está assim por uma doença, imagine essa doença junto com outras que são imunopreveníveis. Independentemente da idade, é importante manter a vacinação em dia”, afirma Marta.

No Laboratório São Marcos, houve aumento de 62% na procura pela vacina Pneumo 13 na região metropolitana de Belo Horizonte de março a junho deste ano, em relação ao mesmo período de 2019. “O aumento da demanda certamente foi influenciado pela pandemia. A divulgação da existência dessa vacina, juntamente com a vacina contra a gripe, gerou não só a procura por primeiras doses, mas também a atualização de cartões de vacinas que estavam atrasados”, afirma o médico clínico e CEO do Grupo São Marcos, Ricardo Dupin.

NO SUS, a vacina VPC13 está disponível nos Centro de Referências para Imunobiológicos Especiais. Ela é indicada para pacientes de alto risco, acima de 5 anos, vivendo com HIV/Aids e pacientes oncológicos e transplantados.

Com pandemia, preocupação é de queda de cobertura vacinal

Embora a demanda da Pneumo 13 tenha crescido na rede privada durante a pandemia, a queda da procura por centros de saúde e a redução da cobertura vacinal neste período preocupam em todo o país. Conforme O TEMPO mostrou nesta semana, a cobertura vacinal está abaixo da meta em Belo Horizonte para todas as vacinas disponíveis.

“Já houve epidemias anteriores de outras doenças que levaram à baixa de cobertura vacinal e, nos anos seguintes, acabaram acontecendo mais mortes por doenças imunopreveníveis do que pela doença da epidemia. É uma preocupação muito grande que as pessoas não deixem a caderneta de vacinação atrasada por causa da pandemia, senão podemos pagar preços importantes”, pontua o assessor científico do Grupo Hermes Pardini, José Geraldo Leite Ribeiro.

No Laboratório São Marcos, houve queda de 17% na procura geral por vacinas entre março e junho de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, segundo o médico clínico e CEO do Grupo São Marcos, Ricardo Dupin.

“Isso se deve a um pico de demanda por vacinas contra meningite no ano anterior e a menor disponibilidade de vacinas contra a gripe neste ano, bem como às medidas de isolamento social, que reduziram a visita aos serviços de vacinação. Esse último fato preocupa, pois a não vacinação ou vacinação incompleta também pode trazer maior risco de outros surtos”, diz.

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