Sistema de saúde de Minas pode entrar em colapso na próxima quinta, alerta promotor

Projeção do esgotamento de leitos está em um gráfico feito pelos técnicos do Centro de Operações Especiais de Saúde

RESUMO

  • O Sistema de Único Saúde (SUS) de Minas Gerais pode entrar em colapso na próxima quinta-feira, dia 25 de junho;
  • O promotor Luciano Moreira, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Saúde, revela que, desde abril, o Ministério Público fez um estudo técnico indicando que não era hora de flexibilizar naquele momento porque a curva era ascendente;
  • Luciano Moreira analisa que este quadro deverá levar Minas a um risco concreto de mortes por desassistência. “As pessoas não terão acesso ao leito hospitalar que possam precisar”, diz.

O Sistema de Único Saúde (SUS) de Minas Gerais pode entrar em colapso na próxima quinta-feira, dia 25 de junho. A projeção do esgotamento de leitos está em um gráfico feito pelos técnicos do Centro de Operações Especiais de Saúde (COIS), que se encontra no site da Secretaria Estadual de Saúde de Minas (SES).

O promotor Luciano Moreira, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Saúde, revela que, desde abril, o Ministério Público fez um estudo técnico indicando que não era hora de flexibilizar naquele momento porque a curva era ascendente. Esse documento foi encaminhado ao Secretário Estadual de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, e também ao COIS.

De acordo com o promotor, ele vem acompanhando com preocupação o esgotamento de leitos do SUS. “Lamentavelmente eu posso dizer que esse é o momento mais crítico, mais preocupante, do enfrentamento da pandemia do coronavírus em Minas. Nós estamos em um ritmo de crescimento acelerado no número de casos. A nossa curva está em plena ascendência e há uma previsão de esgotamento de leitos da rede pública no dia 25 de junho”.

Mortes por desassistência

Luciano Moreira analisa que este quadro deverá levar Minas a um risco concreto de mortes por desassistência. “As pessoas não terão acesso ao leito hospitalar que possam precisar. O pior é que o pico da pandemia só está previsto para meado de julho. Então, muito antes da chegada do pico, nós já temos uma situação grave”.

O promotor contou que o Ministério Público vem alertando sobre os perigos da flexibilização em Minas. “O Ministério Público de Minas Gerais, há algum tempo, com base em estudos técnicos da sua equipe e também da equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem ressaltado que o momento é de ascendência da pandemia, não é momento de flexibilização. Portanto, neste momento, o poder público tem que reforçar o distanciamento social”.

Fornecimento de medicamentos em crise

O promotor revelou ainda que há problemas com relação ao fornecimento de anestésicos e medicamentos. “Somado a tudo isso, nós temos uma crise no mercado de anestésicos, a escassez dos medicamentos que são necessários para fazer a intubação dos pacientes com a Covid-19. Então, é um momento muito grave e muito sério”. 

Todo esforço em vão

Por fim, o promotor ressalta que, diante desta situação, todo o esforço que foi feito pela população e poder público, pode ser perdido. “Ou seja, todo o prejuízo econômico, todo o esforço, todas as privações que a população sofreu, todo o investimento que o poder público fez, inclusive para aumentar a capacidade assistencial do SUS, pode não ser suficiente para evitar que mortes aconteçam por desassistência”. 

População fazer a sua parte

A conscientização por parte da população também é de extrema importância para evitar um quadro de colapso, assegura o promotor. “A população deve sair de casa quando necessário, quando não tiver outra alternativa. Tomar todos os cuidados necessários nos ambientes públicos, como uso de máscaras e higienização das mãos, e evitar toda e qualquer aglomeração. Evitar participação em reuniões, eventos, cultos e de qualquer natureza”.

O que diz o Governador

Em entrevista a Rádio Itatiaia, o governo de Minas, Romeu Zema, disse que há possibilidade de “medidas extraordinárias” serem tomadas nesta semana em algumas regiões de Minas Gerais. Ele admitiu que aproximadamente 90% dos leitos de UTI estão ocupados em Minas.

Por fim, Luciano Moreira finalizou dizendo, novamente, o que é necessário para evitar ou amenizar o colapso. “Se nós não tomarmos imediatamente medidas efetivas para evitar a rápida propagação do coronavírus, nós vamos ter sim um quadro de colapso no nosso sistema de saúde e de desassistência generalizada”.

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